domingo, 6 de maio de 2012

*ninguém vive por mim* depois que o ventríloquo viu

*ela entra às escuras e às escuras pisa o tênis azul dele. não que visse que era azul, sequer que era um pé que ela pisava. -putz, o tênis do sábado!, ele pensa, balão de quadrinhos sob a cabeça. não que ela visse o balão, mas desconfiou a cabeça. melhor ainda: o cabelo escurecido dele. aquele escolhido pros dias em que a vida pede um blues e tênis azul. calhava pedir desculpas, mas, ela assumiu a música alta e os riscos: pisou o outro pé do moço. ele entendeu, sorriu de volta. -tênis se lava na segunda. e, sendo sujo aquele blues, aquele dia, ela dançou inteira sob os tênis (agora amarelados pela tinta na sola do tênis branco dela. onde ela pisou antes de entrar lá? ele não sabe, ninguém sabe, nem este narrador. e olha que só eu vi quando os dois foram embora entre a embriaguez do blues e da água mineral. isso dito no sussurro destes parênteses)*. 


que me perdoem pela água mineral (com gás), mas, tudo o mais neste rabisco-introdução é fictício, sendo qualquer verossimilhança culpa das vozes e acordes de felipe breier (voz e violão), lenine rodrigues (guitarra, violão e voz), igor ribeiro (percuteria), raul porfírio (baixo, violão e voz) e makito vieira (bandolim, sanfona, voz, percussão e direção musical). o show *ninguém vive por mim* bem podia ter sido cenário pra este casal usando os tênis que ventríloquo tanto gosta. entre os azuis da noite e do cartaz pendurado na memória. 

nenhuma noite é completa até se pintar, inteira, de uma paleta de azuis e amarelos. ao contrário de outras cenas musicais, a cenografia do show estava do lado de cá, aconchegando quem se chegava. no palco, músicos e instrumentos numa provocação mútua e constante. o desafio do melhor ensaio. sedução entre eles e com o público. instrumentos como gentes gritando coisas indizíveis. 
foto sem autoria sabida por este ventríloquo
foto de divulgação: Dri
sérgio sampaio foi o mote, a desculpa pro encontro. mas, o que se viu é que foram eles. foram eles nele, na voz de felipe breier. rasgando a promessa de um simples tributo. desenhando na performance, a entrega aos companheiros, às companhias. e vice-versa. versa o verso que estes moços reinventaram o jeito de conhecer o cantor e compositor do espírito santo, ave maria!-meu-deus-quanta-música-boa!


 

e todos viajamos de trem em minutos, vendo cabras pastando do lado de fora. vendo cabras babando, entre cervejas e admiração, do lado de dentro. o sucesso do melhor ensaio e ventríloquo dançou ainda que ninguém mais. dançou ainda que ninguém mais visse. 

sábado, 5 de maio de 2012

*ninguém vive por mim*

árido de sonho o chão, ventríloquo pulava querendo agarrar a lua
seca a areia, andou cedo na ponta dos pés.
do all star. das sapatilhas. do salto alto. 
de tanta altura, ficou tonto.
 e achou melhor agarrar a lua de uma vez. e ficar por lá. pés descalços.



hoje, o post é meio fora de órbita. dessas coisas sem juízo, como atrever-se a botar o bloco do cantor e compositor sérgio sampaio nas ruas de fortaleza. 
pelo menos, há alguém sem juízo. alguéns. rsrsrsrs. 

"Ninguém vive por mim" é dessas invencionices que levam o sonho do ventríloquo a pensar que vale a pena embaralhar a cena musical da cidade trazendo nomes que, aqui, costumam soar estranhos. e olha que o nome é simples: sérgio-sampaio-simples-assim. 

felipe breier (o moço por trás dos olhos) faz, hj à noite, esta homenagem, ao lado dos músicos lenine rodrigues (guitarra, violão e voz), igor ribeiro (percuteria), raul porfírio (baixo, violão e voz) e makito vieira (bandolim, sanfona, voz, percussão e direção musical).


hoje, sábado, 05 de maio, no teatro das marias, às 22h, r$ 5,00

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

feliz aniversário, ventríloquo! feche os olhos e apague as velinhas!


a postagem de hoje começa mais ou menos assim: "-amiga, tem um amigo em são paulo, ele tá preparando um cd... ouve lá! vamos divulgar?" e aí eu descobri o som de maví, o de sampa. acontece que o nome do cd, *numa festa que imagino* (em processo de catarse), me fez lembrar da festa de aniversário dela, a amiga do maví. a-amiga-do-maví-moça natália -ventríloquo de olhos verdes. entre o azul de natália pra gente mergulhar. ou com o codinome natasha, se a cena é 24 quadros por segundo. 

roubada e remexida do álbum da moça

o fato é que a memória me falha quase sempre, mas o aniversário não. a festa foi outro dia (30.04), mas, ventríloquo ainda não tinha dito por aqui. sendo assim, peço licença, tomo uma música do maví pra emprestar a esta cena e... *parabéns pra vc!* em ventriloquês. ;**

de lyillo pra nat

quinta-feira, 29 de março de 2012

um sonho, duas fotos e uma dança‏


Fotografia: Natália Rocha

às vezes o corpo, pra amar, só tem é que dançar mesmo. ou só pode dançar, só se abarca o sentimento na melodia do movimento dançante. 
e tantas vezes, pra desatar o nó da garganta, quem chora é corpo. em danças histéricas pra liberar o que há de triste; ou em movimentos simples, em busca da serenidade.
dançando se aplaca o mal. dançando é que se vive. dançando é que a dor se cria em coreografias de angústias e belezas. 
(Natália Rocha)

Fotografia: Natália Rocha

domingo, 11 de março de 2012

Domingo. Azuis.


Foto: Natália Rocha

a mim agrada o cinza do domingo e seu mal humor nacional.
a promessa de que ele, o domingo, já nasce culpado e gauche na vida.
então, que dizer se o maldito domingo acorda torto: uma sexta-feira azul.
não azul, sozinho. azuis.
cédula achada num bolso, dente parou de doer.
capaz de ganhar no bicho se tivesse passarinho.
e o amorzinho cantando na playlist do vizinho. bem dizer que bate à porta e deixa um beijo. 
12h12. 
a sexta-feira 
acorda num domingo pra acabar com as certezas do sujeito. 

domingo, 4 de março de 2012

Domingo à tarde. Anywhere in the world


Domingo à tarde. Anywhere in the world. Natália Rocha

felicidade em 24 quadros por segundo ou pouco menos.
pra tentar entreter o tempo, meu filho, deixar que passem: 
o cheiro, o mar, a foto, o azul.
borrou? não pensa, coração, plis. 
depois do final feliz só mora o desassossego.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

*manya*. mas, bem podia ser "um balé polonês em paris*


este post não tem a menor pretensão e começou mais ou menos assim: um ventríloquo cruza com a vida de uma polonesa naturalizada francesa e percebe que essa história vai acabar dançando. daí, o ventríloquo lembra de uma outra polonesa, bronislava nijinska, uma das figuras mais influentes da dança do início do século XX. dançarina, coreógrafa e professora de balé russo, nijinska é irmã de nijinsky (ohhh!) e  dirigiu, de 1932 a 1934, sua própria companhia de balé denominada... *balés poloneses de paris*.  não é que seria um belo título pra revelar a dança em vídeo que serpenteia pela ciência daquela polonesa do começo da história? a naturalizada francesa? pois é, mas essa história já tem título. se chama *manya* e vai dar um jeito de dançar em paris. 

não entendeu nada ainda? tem tempo. por enquanto, vê um tantinho do clássico *les noces*, de bronislava nijinska, com música de stravinsky.  ;)

Vídeo YouTube

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Procurando na Caixa a gente encontra...


Quantos dias cabem em uma caixa?

Pesquisando coisinhas pra mostrar por aqui, o Ventríloquo cruza com esse vídeo
Nenhuma relação com nosso curtinha sobre Leonilson, a não ser uma coisa: 
 afinal, "o que tem na caixa?"

O curta está sendo montado, mas a curiosidade só aumenta.
E um Ventríloquo curioso adora bisbilhotar.


As animações ficam por conta de Diego Akel, esse moço aqui, ó


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

balãozinho


Foto: Natália Rocha

p... plum... pluma.
explodiu sem fazer barulho, só o inventado.
pousasse cílio, era alegria
rosário com o peso do mundo caindo pra fora do ombro.
je vous salue, marie, pleine de grâces.
feito fio, flutua pra baixo
voou cabelo, pousou balão. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

domingo. sem mais.



o domingo seria seu. nenhuma promessa ou lembrança particular, apenas a sensação da moeda chutada. sem disputas, o domingo seria seu porque ninguém mais o queria. fez a barba, mas repetiu a camiseta e os cheiros da outra noite. cenograficamente, anotações para  um jornal e um café. só não tomava café nem lia jornais, os dois deixando a boca amarga. abriu bem a boca, aliás, para engolir o sono e o domingo. saindo, cruzaria a esquina, a igreja e as velhas atrasadas pro nada. quis envelhecer sem pressa e com cabelos. minuto depois era velho um minuto mais tarde, careca e atrasado pra sessão das dez. escrevia as próprias sinopses no verso do ingresso antes de ver o filme. anotações para o resumo dos domingos dali até o mundo acabar na outra esquina. pelo sim pelo não, cochilou pra ver o que deus faz, afinal, no sétimo dia.   


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